Por um dia menos ordinário


viver é bom nas curvas da estrada
junho 4, 2009, 1:28 am
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Eu, que sou solteira, me pego cansada de ouvir a mesma frase dos que pensam que são bem sucedidos no amor. “Como você consegue ficar tão BEM sozinha?  Acho tão triste… ” Gente,  a solidão pode ter seu lado triste,  mas não é só de tristeza que ela é feita. Veja bem, não estou aqui para vangloriar o “mundo dos solteiros”, muito pelo contrário. Ser bem sucedido no amor não é um problema, é um privilégio. Porém, não se sinta um estranho no ninho se ainda não encontrou a “sua metade” e nem pense que só os que se dizem “afortunados no amor” são felizes. Por exemplo, eu tenho várias amigas que namoram e que não conseguem soltar UM elogio quando falam do namorado. Pelo contrário, só reclamam. Tenho amigos assim também, que acham a namorada uma chata e que traem a coitada até dizer chega, para compensar a chatisse da mesma. E eu me pergunto: “Por que namoram então?” Eu sei que não há nada melhor do que ter alguém ao nosso lado em dias chuvosos e nas tardes mais vazias de domingo. Mas de que vale uma pessoa vazia ao seu lado? Se a pessoa não te proporciona UM prazer, nada. Para quê? Só para você poder se enquadrar na sociedade e poder falar: “Namoro há 5 anos, sou casado há 50.” Para quê? Estes dias mesmo uma amiga minha soltou: “Queria ser igual a Mariana… Conseguir ocupar a cabeça, ser feliz sem ter ninguém ao lado e achar graça na solidão”. Gente, é ÓBVIO que não sou feliz o tempo todo. Aliás, bem longe disso. Porém, a solidão dos dias chuvosos ou dos domingos vazios me mostraram que a felicidade ou a não- felicidade é guiada por uma só pessoa: nós mesmos.  Não estou aqui para julgar ninguém. E quem sou eu? Já fui uma pessoa que gritei o amor pelos quatro cantos, que vivia como se o mundo não existisse. Era só eu e ele. Sabe aquela relação intensa?  Tão intensa que deixa as pessoas ao redor com nojo da proximidade, do amor? Então, era assim e naquela época  eu me achava muito feliz(e era!). Eu tinha a pessoa que eu amava, quando eu queria, o tempo todo. Acontece que um dia, como tudo na vida, acabou. O primeiro pensamento? “Nunca mais serei feliz”. E é aí que erramos. Quando projetamos a nossa felicidade em alguém. Claro que pessoas nos PROPORCIONAM felicidade. Porém, eles não são donos dela. São no máximo, sócios. Mas tem que ser aquelas sociedades desproporcionais, sabe?  Porque aí, quando o “nosso sócio” sai do negócio, não ficamos no prejuízo maior, ainda temos a “nossa parte” para desfrutar. Na hora que tudo acaba, não podemos perder o rebolado. Não podemos nos humilhar e ouvir desaforos para estar com alguém. Nestas horas é que a solidão aparece. Ela aparece como um fantasma e amedronta, mas deixe ela entrar. Claro que é ótimo ter alguém para ligar no meio do dia só para falar que tem saudades, alguém para ficar ao nosso lado nas horas em que não tem nada para fazer, alguém para compartilhar as alegrias ou até dividir as tristezas. Claro que isso é ótimo e só a mais amargas das amargas diria o contrário. Porém, é na solidão que vemos que a infelicidade não veio porque ele só pensa em futebol, porque ele não tem pique para sair, não tem dinheiro para te levar para lugares legais. Só a solidão é capaz de nos levar aos lugares impossíveis. Só ela nos mostrar a verdade nua e crua. Só a solidão que nos mostra o verdadeiro eu, as necessidades, os erros e os acertos. Só ela que proporciona a leitura nas entrelinhas, a paisagem estonteante nunca reparada antes. Só ela que nos faz sentir a intensidade do gosto doce ou o amargo. Só com ela que prestamos atenção, observamos as pessoas nas ruas. Claro que é muito bom conhecer alguém e introduzi-lo na sua vida. Porém, enquanto isso não acontece, não se desespere. Abra a porta e deixe  a solidão entrar e te mostrar que tem alguém muito importante querendo a sua atenção. E este alguém, é você mesmo.

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3 Comentários so far
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Mari, adorei! acho q tudo que vc escreveu e a pura verdade!

Comentário por Kamil

Amore, clap clap clap! Adorei… Vou repetir, vc escreve muitissimo bem! Amei, adorei. Amo te. Cá

Comentário por Carol

Adoro ler voce!

Comentário por zulim




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